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domingo, 12 de fevereiro de 2012

    






   Esse tamanho vazio que esse sentimento tem nada mais contém. Como se fosse uma casa sem móveis, vozes e passos que quando alguém gritasse algo, o eco preenchesse toda a casa. Posso te comparar a um grito. Um tom alto que todos os dias gritam dentro de mim te chamando em todas as direções do meu corpo. Acabei por entrar muitas vezes em casas vazias e perguntava em voz alta:
-Tem alguém aí? –só ouvia o meu eco, retornava a perguntar.
-Alguma alma perdida ao menos?
      Não encontrei nada, nem passos, vozes, almas. Nada me respondia. Nada me ouvia. Só o silêncio me observava de longe, mas não respondia somente me dizia com a sua melhor resposta que eu nunca ia encontrar nada lá.
     Tantas e tantas casas cheias me esperando. Acolhedoras, hospitaleiras, vozes, passos. Sempre optamos pela casa vazia onde sempre nunca há nada para nós.
    Foi gritando em frente a minha casa vazia que vi uma jovem passar por mim. Olhos escuros, cabelos castanhos, escapulário no pescoço e uma blusa caída no ombro, calça jeans, caminhar apressado. Olhei pra ela por longos instantes, do inicio da quadra até a frente da minha casa. Ela vista que estava sendo observada, me perguntou:
-Posso ajudar?-Me olhando com aqueles olhos. Respondi:
-Esqueci onde deixei a chave, não sei como entrar.
    A jovem, pouco constrangida, olhou pelos lados e viu em um canteiro de flores e revistou, a chave estava lá no meio. Disse:
-Está aqui. –Falou com um sorriso disfarçado.
-Muito obrigado, sempre esqueço de tudo.
-Casa bonita. –Observou enquanto eu abria a porta e desdobrava o chaveiro na mão para ela não ir embora.
-Bonita, porém já é usada, mas poucos moraram aqui de verdade, só está conservada por fora, por dentro precisa de alguém pra arrumar a bagunça.
-Não vai me convidar para entrar e tomar um café?-Disse um pouco atrevida
-Só se for pra ficar. -Respondi brincando com verdades
     Ela entrou falando alto com aquela alegria por que viu que dava eco na casa e me perguntou:
-Mora aqui sozinho?-espantada
-Moro aqui com o que sinto.
-E cadê o que você sente? Não estou vendo. – Riu e continuo olhando a casa.
-Aqui sempre foi bem vazio, acho que é isso que sinto.
-Que triste,mas também moro com o que sinto, sinto muitas coisas, o que tu sente agora?
-Sinto que tu deveria vir pra cá.-Respondi com a audácia
-Eu posso ficar?-Ela fez essa pergunta, não sabia o que responder e disse:
-Fique, mas se for pra ir, cansei de partidas, é difícil ter que limpar tudo depois, arrumar e deixar vazio. Se for para ir, vá agora.
-Sei bem como é, carrego isso comigo e não partirei enquanto estiver aqui comigo.
-Estarei.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Contos de Caio

"O mais forte em Caio é a capacidade de transmitir sinceridade ao texto. Suas grande armas pra isso: o lirismo da linguagem e a competente seleção de imagens sensoriais ou não".                                                                 (Geraldo Galvão Ferraz; IstoÉ)



Se em algum dia eu fui para lugares desconhecidos, foi quando fugi, lendo estes contos. 

Desprendi cada linha de imaginação dentro de mim, imaginei tudo, cada cena, cada palavra, cada emoção.
Me coloquei em diversas situações que me aproximava do meu mais profundo.

  ”[…]assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço[…]”
Para uma avenca partindo - Caio Fernando Abreu


                                          




"Não me venha com essa história de atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais! Nunca tive porra de ideal nenhum, só queria era salvar a minha história, veja só que coisa mais individualista elitista, capitalista - só quero ser feliz, cara[...]"

                           



 [..]"Não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais destrutiva que insistir sem fé nenhuma?”[...]

 "Sorriu forte: a gente acostuma."

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012


                 Amando coisas em ti que tentam ser pequenas, mas que ainda conseguem mostrar sua desproporcionalidade ao nome “detalhes”. É bom te lembrar em coisas simples, olhar um filme e imaginar nós dois no lugar do casal protagonista, observar alguma foto e pensar que poderia ser nós dois ali á sorrir, me arrumar para te esperar sempre. O tempo permanece parado nos dias que ficam em nossa memória, esperando lá, se guardando em um beijo, um carinho, um sorriso. Esquecer de estacionar em locais que não lembram tua presença faz com que eu esteja contigo sempre de todas as maneiras. Estou aqui contigo nos dias nublados até entardecer e nos dias de sol quente até se pôr. Ninguém nunca saberá o que é amor até conseguir explicar o que é ter insônias de pequenas saudades e o que é chorar por grandes bobagens.

-Vítor D.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

       
           Já fiz pedidos ao nada para ver se alguém me atendia, não importa á quem pedi, a única coisa que importava era que te queria ali perto, vendo que te quis sempre e pra sempre. Percebi que estava sentado por horas só pensando em como deixei tudo isso acontecer, e como que isso cresceu tanto, foi um veneno que começou de dentro para fora. Foi um verso que não coloquei ponto e deixei se estender por um texto inteiro. Buscava tua presença em todos os lugares, tentando te achar onde não te encontrava mais, mas aí me lembrava que se tinha um lugar onde podia te encontrar sempre que pudesse e quisesse seria aqui dentro de mim. Cada dia eu me perdia mais, toda vez que te encontrava e via esse teu sorriso bobo, essas covinhas no seu rosto rimavam com as das suas costas, e os meus olhos reagiam como fogo que traz tudo que quer para dentro de si. E foi assim, fui sem defesa, guardando tudo que tinha de melhor para ti, pra não te desapontar. Os meus olhos não puderam negar e quiseram te trazer para dentro de mim. E aqui estou, sentado. E cheguei no nosso encontro que fica aqui dentro, onde tudo acontece. Estou pedindo, por favor, seja minha.

-Vítor D.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

                                                         
      O vento te diria para nunca colocar o cabelo para trás, porque tu ficas linda quando ele sopra em ti e faz com que seus cabelos voem ao redor do seu rosto. A noite iria querer o sol ou mais estrelas para poder te ver assim que a luz se apagasse e pediria todos os dias que eu esquecesse a luz do quintal ligada pra poder te observar. O frio tentaria ficar cada vez mais forte só para poder te olhar enquanto tu dormes embrulhada em cobertores. O sol raiaria cada vez com o céu mais limpo, só para ver que seu sorriso é mais forte que ele. A chuva cairia forte para ser observada por seus olhos da janela do quarto enquanto pensa se alguém está pensando em ti. O espaço só diminuiria cada vez mais para que no meu abraço tu pudesse se encaixar. E com todas essas razões pelas quais tudo em mim quer nascer mais forte quando se encontra ao seu lado. Estou aqui á pensar em ti quando acordo até o meu deitar.

— Vítor D.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Acordando todos os dias



     Ah querido tempo, tu me acordou enquanto eu dormia no que tu me presenteaste hoje. Tu me fizeste cair em todas as tuas ciladas pra que pudesse me encontrar aqui. Não sei explicar bem o quanto o tamanho deste significa. Acabei por matar metade de mim, foste preciso, tu não podia ter feito algum atalho ou ter me conduzido por um caminho mais curto? Tu me fizeste perder um sorriso para que eu pudesse valorizar, tu me fizeste perder a presença para que em todos os cantos sentisse a falta. Faltou o aconchego, faltou onde escorresse a lágrima, faltou o olhar de expectativa de você querido tempo, melhorar. E quando consegui juntar meus passos a toda essa nostalgia, tu me fizeste encontrar a certeza de que sempre vou ter um sorriso, que sempre vou acordar com a certeza de que tudo que preciso se encontra lá, apesar dos desencontros, e dos presentes que não queria, é lá onde eu encontro tudo isso que me faz acreditar que se a minha vida acabasse aqui, ela acabaria te agradecendo por ter me concedido este encontro tão lindo.

— Vítor D.
      

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Meu frio europeu



     Gastando palavras clichês para falar de como o seu sorriso vem pra mim. Ele vem como um dia de sol na estação mais fria. Como uma volta de uma despedida. Fácil não é, de descrever o que sinto quando tu me vem em pensamento, e lá me vai aquela vontade de ti aqui comigo de novo. Antes fosse fácil acordar com a sua voz acalmando minha melancolia. A textura da tua pele,maciez do teu cabelo, e todos aqueles sentidos que estavam à desmoronar comigo, mas que agora vivem novamente junto contigo. Tropeço em palavras para te falar o que não consigo te explicar o quanto eu te amo, tentando demonstrar que tu és o que me vem, o que me prende, meu calor em um dia de frio europeu.

— Vítor D.